Primeiro Domingo da Quaresma – Irmã Katie Webster, SNDdeN

9 de março de 2025

Lucas 4: 1-13

Depois do Batismo, Jesus estava cheio do Espírito e no Espirito Jesus foi conduzido ao deserto.  O Deserto.  O que vem a mente com esta palavra deserto?  Sequidão no extremo, sol escaldante, sem piedade, pouca sombra, escassez de água, noites frias, comida dependiosa, em geral um lugar que não é fácil, aliás estava cheio de dificuldades.   Neste deserto Jesus está tentado pelo diábo, aquela criatura que queria separar Jesus dAquele que o enviou a terra.

Jesus passou quarenta dias neste deserto.  O diábo apresentou três tentações:  riqueza, poder política, poder religioso.   “Se és filho de Deus, mande esta pedra se tornar pão.”  O Diábo incentiva Jesus de gerar pão de pedra, podia ser outras coisas também.  É uma tentação de dominar o material.  “Eu te dou todas estas nações se  se ajoelhar diante de mim.” O Diábo incentiva Jesus de tomar conta das nações, se tornar rei dos reis, se ele se alia com o diábo.    Por fim, o Diábo incentiva Jesus de se jogar do templo para os anjos pegar ele, manipulando o poder religioso.  Jesus rejeitou todas três com simplicidade e firmeza:  “O ser humano  não vive só de pão.”  “Adore somente a Deus e não preste culto a outro.” “Não tente o Senhor, seu Deus.”  Jesus sabe onde está e em que acredita e para que ele se dedica.

No Evangelho de Lucas, este tempo no deserto é um tempo de Jesus se firmar na sua missão , de se preparar para lidar com as forças da ganância, do poder e da manipulação do sagrado.  O povo de Deus que tinha saído da escravidão do Egito e passado quarenta anos no deserto aprendendo ser povo de Deus, um jeito diferente do que o sistema dominante e opressor.  Ao longo dos anos, surgiram as mesmas opressões do povo empobrecido, fragilizado e marginalizado que Jesus estava preparando para enfrentar.

Quando eu li esta leitura para começar a refletir para poder escrever, meu pensamento parou no Deserto.  Imagens vieram uma após outra na minha cabeça e meu coração:  o povo migrante tentando de fugir de situações de perigo e ameaça atravessando o deserto para chegar nos Estados Unidos, enfrentando calor, sol, falta d’água, perigos de assaltos, e em fim presos como criminosos…..  A guerra de Gaza está no deserto. Milhares de pessoas tem sido mortas: crianças, jovens, famílias, idosos e idosas.  A paz parece muito frágil.  Guerra em outros países deixando desertos de destruição como na Ucrânia.  Ao redor do mundo  estamos vendo os efeitos do aquecimento do planeta criando mais deserto ainda: sequidão prolongado, fogos fora do controle, enormes enchentes, tanta destruição da natureza, da lavoura, de moradia, de meios de trabalhar e matando pessoas.   Sim, criamos este deserto em ações de descuido e poluição, mas têm  grandes projetos de grandes e ricas empresas:  grandes plantações de soja, mineração, privatização de água, desmatamento que destrõem muito mais e tudo ao custo da vida de pessoas e a natureza. Pergunto-me o que estamos aprendendo neste deserto? Será que estamos criando um novo jeito de viver? Podemos dar as mesmas respostas às tentações que Jesus deu? Papa Francisco tem nos dado muitas dicas, estamos prestando atenção?

Se nós podemos dar uma olhadinha para o próximo trecho deste capítulo do Evangelho de Lucas, sabemos que Jesus saiu do deserto e foi para a sinagoga e proclamou sua missão, assumiu sua missão, em que ele vai ser perseguido e morto que lembramos na Semana Santa.  Mas esta experiência no deserto no Espírito, o impulsionou  para esta missão de proclamar a boa nova aos pobres e oprimidos o tempo todo, todo tempo.  Esta é nossa missão também.  Neste tempo quaresmal podemos refletir sobre as tentações que enfrentamos pessoalmente, como comunidade e como sociedade, e juntas e juntos viver este ano jubilar, com alegria de coração.  Muita gente já está agindo de modo diferente para reverter este deserto. Talvez durante este tempo de Quaresma, podemos partilhar estas ações.

 

Lucas 4: 1-13

Jesus, pois, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão; e era levado pelo Espírito no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. E naqueles dias não comeu coisa alguma; e terminados eles, teve fome.  Disse-lhe então o Diabo: Se tu és Filho de Deus, manda a esta pedra que se torne em pão.  Jesus, porém, lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem.

Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo.

E disse-lhe: Dar-te-ei toda a autoridade e glória destes reinos, porque me foi entregue, e a dou a quem eu quiser;  se tu, me adorares, será toda tua.

Respondeu-lhe Jesus: Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o levou a Jerusalém e o colocou sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, que te guardem;  e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus.  Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna.

 

Conheça a Irmã Katie Webster, SNDdeN

Katy Webster (known as Kátia in Brazil) entered Notre Dame at Ilchester, Maryland in 1976. After initial formation in the Baltimore-Washington area, Katy was missioned to Brooklyn, New York. She taught sixth graders for nearly 5 years at St. Catherine of Genoa School. In February, 1984 Katy was sent to Brazil by the Sisters of Notre Dame de Namur, with the blessings of students and teachers of St. Catherine’s. Kátia lived in Maranhão for 9 years. Then in 1993, she moved to Pará where she has lived at Centro Nazaré on the Transamazon Highway, Altamira, Anapu and Itaituba. Kátia is currently back in Anapu. Kátia has lived with and among the people who struggle to live community while facing the greed of ranchers, loggers and lately the mining companies, and always learning far more than teaching. It is a blessed journey of faith and trust in the good God.