Mateus 24:37-44
É tempo de advento! É tempo de esperança! É tempo de renovação! Interessante que este novo tempo litúrgico surge agora, neste ano, após a COP 30, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o mundo veio vivenciar essas mudanças aqui, no quintal da Amazônia, na cidade de Belém no estado do Pará, norte do Brasil.
Foi surpreendente como o povo de fora que viu nosso cotidiano pela primeira vez, com o olhar de surpresa, nos fez enxergar o comum como extraordinário: a queda das mangas nas ruas, a chuva amazônica à tarde com toda a sua força e o calor e o mormaço sensações que só se tem aqui. O olhar do outro sobre o nosso cotidiano, nos fez vermos algo tão comum com um outro olhar, o de surpresa.
Neste novo tempo litúrgico nossa fé e nossa esperança se unem às de todos os povos que vivem desejos de um novo mundo, que é possível e urgente, afinal às mudanças climáticas atingem a todos. A diferença é que onde uns poucos tem condições de se prevenirem e mitigarem as consequências das enchentes, queimadas e calor em excesso; enquanto outros muitos perdem suas vidas, suas casas, suas plantações devido tais mudanças. Isso é justo? O que seria a justiça neste cenário? O que o meu país, o seu país faz tem consequência no todo. Estamos todos em um só planeta, mas as consequências das mudanças climáticas atingem uma classe só, os mais pobres.
No evangelho de hoje Jesus nos alerta para ficarmos preparados, não como uma proposta, mas como uma única alternativa. Hoje o mundo nos alerta por meio da voz dos povos originários, uma das vozes que mais ressoam atualmente é do Ailton Krenak, indígena, ativista ambiental, filósofo e escritor e um dos livros dele é “Ideias para adiar o fim do mundo”, no qual ele nos desafia a pensar fora da caixa diante dos passos da humanidade rumo ao seu fim.
A ação de cada um e a ação de todos nós fazem com que caminhemos rumo ao mesmo lugar, mas como eu já disse, uns tem lugares privilegiados e outros não. Não foi surpresa que o Presidente do país que que está em segundo lugar no ranking que mais polui não tenha vindo à COP. Por que será que não veio? A pergunta ressoa no ar, mas cada uma de nós temos uma resposta e um porquê e a certeza de que ele não quer se comprometer em diminuir as emissões de gases poluentes na atmosfera.
Sabemos que as mudanças climáticas estão intrinsicamente ligadas ao modelo de capital. Talvez tenhamos que ler mais e vivenciar a Economia de Clara e Francisco que surgiu 2019 quando o Papa Francisco se reuniu com jovens, economistas e sociedade civil para repensarem o modelo econômico vigente, se inspirando em Francisco de Assis e que os brasileiros incluíram Santa Clara de Assis, onde temos uma economia a serviço da vida onde a natureza não é somente explorada, mas ela é viva e atuante neste novo modelo, onde a terra generosamente nos dá os seus recursos naturais, mas não pode haver acúmulo e temos que trata-la bem, para que haja frutos para todos, afinal a terra é um ser vivo.
De que forma nós, irmãs de Notre Dame de Namur, amigos e amigas, associados, voluntários e colaboradores ao redor do mundo estamos lidando com as mudanças climáticas? O que estamos fazendo em nossas realidades de forma individual e de forma comunitária?
Matthew 24: 37-44
Jesus disse aos seus discípulos: “Assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Naqueles dias anteriores ao dilúvio, as pessoas comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E não perceberam nada até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será também a vinda do Filho do Homem. Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho; uma será levada e a outra deixada. Portanto, vigiem! Porque vocês não sabem em que dia virá o Senhor de vocês. Tenham certeza disto: se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, ficaria vigiando e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Assim também vocês precisam estar preparados, porque o Filho do Homem virá numa hora em que vocês menos esperam.”
Conheça a Irmã Lucyane R. Diniz, SNDdeN
30 de novembro de 2025
