25 de maio de 2025
“Deixo-vos a minha paz. A minha paz vos dou, mas não a dou como o mundo”.
Jo.
Farei a minha reflexão, a partir desta frase do Evangelho de hoje. E começo com as perguntas: Qual é a paz que vivemos em nossos dias atuais? E, qual é a paz que Jesus nos deixa enquanto discípulas e discípulos dele?
Hoje, vivemos um tempo muito necessitado de paz. E não se trata apenas ausência de guerras. Trata-se daquela paz filha da justiça, que reintegra os filhos e as filhas de Deus nesse mundo. A paz que interliga, que conecta, que faz fluir a energia vital e que permite a nós, continuarmos cocriando e melhorando a obra de Deus. Essa é a paz de que necessitamos.
Isto porque, se vivêssemos em paz, se respeitássemos uns aos outros, se estivéssemos ligados pelo amor emanado de Deus quando, cuidadosamente nos moldou individualmente, não estaríamos nos autodestruindo.
Nós, temos trilhado por caminhos que estão cada a dia, se afastando mais do amor original: que ata laços e ficando no pecado, isto é, na quebra das relações. E, por isso mesmo, hoje vivemos vários conflitos armados mundo afora. Conflitos muito antigos e conflitos mais recentes. Conflitos mais visíveis, como os que acontecem em Gaza e na Ucrânia. E outros menos visíveis, como os diversos conflitos acontecendo por todo o continente africano.
De um lado, há o conflito, geralmente fruto da ganância e disputa de poder. Do outro há quem ache que a paz se fará com o mero o baixar das armas. Contudo, nestes processos de “negociação de paz”, às vezes o custo é alto para os filhos e as filhas de Deus mais sofridos – os pequenos. Isto porque, por vezes a dignidade e a liberdade que é negociada nas bancas da paz.
Me ponho a pensar diante da provocação evangélica, como se pode construir paz usando parâmetros injustos? Quando para o reestabelecimento da paz, se usa como moeda de troca: terras, mineiros e tantas outras coisas que ferem de morte a dignidade das filhas e dos filhos de Deus?
Hoje a comunidade joanina nos faz lembrar que essa não é paz de Jesus. A paz de Jesus é aquela que recoloca na roda, o que foi excluído; que devolve a dignidade à mulher que foi violentada e tratada como objeto; que denuncia os discursos falsos e as leis injustas que criam pesados fardos para o povo de Deus carregar.
A paz que Jesus dá, não é uma paz quieta, calada, amordaçada, oprimida. Ao contrário, ela perturba os acomodados, porque gera Justiça, gera a vida. Que sejamos Paz uns para com os outros nesse nosso mundo tão necessitado de paz.
Conheça a Irmã Sandra Araujo Santos, SNDdeN
Irmã Sandra Araújo dos Santos nasceu em 23 de março de 1977, no estado do Maranhão, Brasil. Migrou com para a região amazônica no ano 1986.
Sandra se encontrou as INDs em Anapu-Pará em1988. A primeira irmã de Notre Dame que ela encontrou, foi irmã Dorothy Stang. Sandra cresceu participando das atividades promovidas pelas irmãs de Notre Dame, porém somente em 1995 ela começou a morar com as irmãs e 1997 se tornou postulante, fazendo votos perpétuos em janeiro de 2008.
Atualmente, exerce o seu ministério na Prelazia do Marajó. Mora na cidade de Breves junto com as irmãs Lucyane Diniz e Carla Vasconcelos. Seu principal ministério é junto à Comissão Pastoral da Terra, onde acompanha e presta assessoria às comunidades em situação de conflito pela posse da terra. Também coordena, junto com as outras duas irmãs, o projeto das Irmãs de Notre Dame de Namur em Breves: Tapiri Sorriso de Santa Júlia.