Réflexions sur l'Evangile

23rd Sunday of Ordinary Time

Matthew 18:15-20

Sunday Gospel Reflection by Sister Jane Dwyer

Publié: September 10, 2017


"Pai, perdoe-os porque eles não sabem o que estão fazendo."   "Meu Deus, meu Deus, por que você me abandonou".

Na área rural brasileira, especialmente no norte/nordeste, o povo pensa e se revela em histórias e parábolas. Este povo, assim, se acha em casa nas Escrituras e se movem facilmente dentro dos textos. Uma de suas histórias, uma que o povo vive cada vez mais, expressa bem o Evangelho de hoje. A família é rural, no norte do Brasil. Uma das meninas mais novas, Maria, é muito rebelde. Ela sempre cria problemas, lutando com seus muitos irmãos e irmãs, incapaz de se comunicar com sua mãe e seu pai. Depois de encontros difíceis, ela deixa o lar com um grito de desespero. Cada vez que ela retornava arrependida, a família a acolhia em seu círculo. Finalmente, ela declarou que ela chegou ao fim, que não se  considerava mais membro da família. Especialmente irritada com seus pais, ela declarou que estava saindo de casa para nunca voltar. As palavras e a decisão foram gritadas com uma raiva irracional e histérica. A família, tristemente, observou enquanto Maria preparava sua mochila e partia para nunca mais voltar. Dois anos se passaram sem nenhuma palavra de Maria. Um dia, um jovem chegou à  porta com a seguinte mensagem: "Maria, sua filha, diz que lamenta a maneira como ela tratou sua família. Ela está especialmente arrependida das palavras cruéis atiradas aos pais. Ela quer voltar para casa, mas lembra como ela saiu, dizendo que ela estava indo para nunca mais voltar, culpando a família e especialmente os pais por sua infelicidade. Ela retornará em breve para descobrir sua decisão. Se você se recusar a recebê-la, ela diz que entende. Mas se talvez você possa perdoar e recebê-la no círculo familiar mais uma vez, amarre uma fitinha branca na laranjeira na frente da propriedade. Se não enxergar uma fitinha branca, ela continuará sua jornada. Mas se ela encontrar uma fitinha branca amarrada a um ramo da laranjeira ela vai entender e voltar para casa. Passaram algumas semanas e Maria não apareceu. Quando finalmente ela encontrou a coragem de voltar e descobrir a decisão de sua família, o que foi que ela encontrou: uma laranjeira coberta de centenas de pequenas fitinhas brancas que balançavam na suave brisa  aguardando seu retorno.

 O que esta história simples e comovente nos diz à luz do Evangelho de hoje? Onde é que encontra eco em cada um de nós e em nossas comunidades, sejam religiosas ou comunidades de base? O Evangelho nos chama a viver e fazer acontecer a justiça com fidelidade. Que justiça é essa? É uma justiça que não quebra a cana machucada, uma justiça que não prejudica ou ofende o frágil, o quebrado, o perdido; uma justiça que pode ser infinitamente paciente, acreditando na presença viva de Deus entre nós, a presença que transforma porque perdoa.   Não somos chamadas a julgar, somos chamados a perdoar. O perdão dá luz a novos relacionamentos; o perdão zela, cuida, cura, acolhe e abraça. O perdão não possui defesas, não usa lógica e racionalidade para entender a pessoa quebrada. O perdão vê e sente a fragilidade da pessoa quebrada e mantém uma mão aberta em compreensão e acolhimento. A verdadeira justiça não acontece nos tribunais e escritórios de advocacia. A justiça não acontece com júris e prisões. A justiça raramente acontece em confessionários e intervenções. O dinheiro, a rigidez e a vingança não geram  o perdão e a vida nova.  O dinheiro, a rigidez e a vingança permitem que a ganância e a violência oprimem, rompem e proíbam qualquer possível diálogo que leva ao  perdão e a transformação. A justiça acontece em diálogo e perdão. A justiça acontece numa laranjeira cheia de pequenas fitinhas brancas balançando na brisa, acolhendo de novo no lar uma filha e irmã perdida e frágil.

 

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